I’m Not Saying Goodbye

‘CARALHO, COMO ASSIM?’

Essa foi basicamente a reação da minha amiga, Fernanda, quando eu contei à ela as ‘boas novas’.

Eu: Pois é…

Fernanda: Então você e seus pais vão pra Buenos Aires, é isso??

Eu: Na verdade, só eles vão. Eu me recusei a ir para lá, você sabe que eu sou péssima em espanhol, e não aguentaria viver em um país sem entender nada do que falam.

Fernanda: Mas, você não tem ninguém com quem ficar aqui… Quer dizer que você vai morar sozinha?

Eu: Putz, quem dera, mas meus pais nunca confiariam em mim morando sozinha, sem ninguém de olho 24 horas por dia. Eu vou morar com a minha tia.

Fernanda: Qual tia?

Eu: Tia Andy, aquela que é dona de uma pousada… Eu já falei dela pra ti, lembra?

Fernanda: Ahh sim, lembro, claro. Mas, ela não morava em outra cidade?

Eu: Ainda mora. E é exatamente pra lá que eu vou… - baixei os olhos, esperando uma reação que não veio, e senti que deveria melhores explicações - Minha tia mora em um casarão, perto da pousada, sozinha. Sempre tive uma boa relação com ela, tia Andy é aquele tipo de tia que podia ser uma prima, e foi ela quem deu a ideia de eu ir morar lá, pra começo de conversa. Ou era isso ou Buenos Aires, eu não tive escolha…

Fernanda: Não, claro, eu entendo, é só que… argh, que droga cara, fui pega de surpresa com essa.

Eu: É, imagine eu… Mas, olha, talvez nem seja uma mudança definitiva, depende de como os negócios dos meus pais andarão… Vou ficar lá por um ano, mais ou menos - sorri - Só não arranje outra melhor amiga nesse meio tempo, valeu?

Fernanda me olhou, avaliando o meu pedido.

Fernanda: Não prometo nada - deu de ombros, como quem dizia ‘grande ideia, aposto que arranjo  uma amiga melhor’, mas sabia que no fundo ela sentiria minha falta. E eu também sentiria a dela.

 

FERNANDA - drama queen

Uma ruiva falsificada dramática pra caralho, sabia muito bem dar um show quando queria, não podia ver uma cerveja na frente que já morria de sede, sempre animando as festas, fazendo loucuras e pouco se fudendo pro que pensassem, é simplesmente impossível tu ir pra uma festa e não ver a cabeça vermelha dessa guria pulando e dançando loucamente.

Já havia visto a casa da minha tia antes, tipo quando tinha uns 8 anos, mas minha lembrança em nada se comparava com o que eu via naquele momento: uma rua estreita e tranquila, preenchida por casas enormes, cheias de árvores e cores, com crianças brincando de bola e uma pracinha no final. Tudo lindo, tranquilo, feliz, parecendo aqueles seriados americanos. Só podia ser brincadeira.

Tia Andy: O que achou? - ela perguntou enquanto parava o carro na garagem.

 Eu: Parece tão… diferente.

Tia Andy: Bom, convenhamos, 7 anos se passaram desde a última vez que você veio aqui, muita coisa mudou.

Assim que sai do carro vi um homem parado ao lado do portão, que pela roupa deduzi ser o porteiro.

Porteiro: Ajuda? - perguntou simpaticamente, apontando para o porta malas.

Tia Andy: Ah, sim, Nick, por favor.  - se virou para mim - Cath, esse é o nosso porteiro, Nick.

Eu: Olá - sorri.

Nick: Muito prazer, madame, seja bem vinda - ele sorriu para mim e subiu as escadas com as malas.

Nick era alto, muito mais do que eu (não que isso fosse muito difícil), tinha cabelos negros e cacheados e não parecia ter mais de 30 anos. O sorriso em seu rosto parecia não querer sair, e combinava muito bem com seu olhar bondoso.

Tia Andy: Vamos, venha ver seu quarto - ela disse enquanto seguia Nick.

Subi as escadas devagar, não queria deixar de ver um único detalhe da casa, até que enfim cheguei à meu quarto, o último do extenso corredor. O quarto não era grande, mas parecia ter tudo que necessário: em uma parede, ao lado da porta, estava uma TV e uma escrivaninha, na parede do lado dessa, um ármario enorme e a porta do pequeno banheiro, logo depois a parede com uma janela, criado mudo e minha cama - a janela, eu pude ver, ficava acima de uma árvore enorme. Na última parede, uma estante e outra janela. O quarto inteiro estava em branco, com móveis de madeira, tudo muito simples, e ainda assim bonito.

Nick botou minhas coisas no chão, e minha tia se virou pra mim, um sorriso grudado no rosto, que brilhava de satisfação ao ver o meu sorriso maior ainda.

Tia Andy: Então, gostou?

Eu: Cara, ta perfeito.

Tia Andy: Que bom que gostou, estava na dúvia se manteria a cor, comprava novos móveis…

Eu: Não, não, ta ótimo assim, sério. Agora é só eu colocar minhas coisas que vai ficar melhor ainda - falei, já programando onde colocar cada coisa.

Tia Andy: Quer ajuda?

Eu: Não, isso eu prefiro fazer sozinha.

Tia Andy: Ok, então. Vou para a pousada, qualquer coisa eu estou aqui na frente, ou pode falar com Nick ou Cássia, quando ela voltar da feira.

Cássia era a cozinheira que trabalhava na casa da minha tia desde que ela a comprou, me surpreendi de ainda estar lá depois de tanto tempo.

Fiquei com preguiça assim que olhei para as mala e caixas que deveriam ser desfeitas, mas fiquei ao mesmo tempo animada com a ideia daquele quarto inteiro só para mim, pronto para ser decorado.

Comecei pela estante, onde coloquei todos os meus livros, CDs, bichinhos de pelúcia e ainda meu som. Logo depois a escrivaninha, onde coloquei meu computador e coisas da escola. Depois botei todas as roupa e sapatos no armários e finalmente a melhor parte: os posters.

Em meu antigo quarto, minha mãe nunca me deixou colocar um único poster na parede, com medo de estragar a tinta roxa, mas agora com a tinta branca achei que não tivesse problema, e ocupei toda a parede com posters do Nirvana, Beatles, Homem Aranha, Oasis, The Used, Paramore, Arctic Monkeys, Batman, Coldplay, Tim Burton, entre outros, e assim que acabei pulei na cama, exausta e faminta.

Enquanto descia as escadas em direção à cozinha, pude ouvir o barulho de passos e vozes. Parece que Cássia voltou da feira.

Cássia: CATHERINE MINHA FILHA, QUANDO QUE TU CHEGOU? - ela perguntou surpreendida pela minha presença.

Cássia era uma senhora simpática pra caralho, da última vez que visitei minha tia ela vivia me paparicando, sempre fazendo pudim pra mim, e foi um dos melhores pudins que eu já comi.

Eu: Cássia, quanto tempo! Tudo bom??

Antes dela pensar em responder minha pergunta, Nick entrou na cozinha cheio de sacolas, e logo atrás dele havia um guri também ocupado com as sacolas de feira.

Guri: Onde eu boto essas sacolas, dona Cássia? - ele perguntou, me dando a oportunidade de ouvir sua voz rouca e… bom, sexy. Beeem sexy. Wow.

Cássia: Ah, pode botar no chão mesmo, querido, muito obrigado. Olhe, Colton, a Catherine chegou! - ela disse animada, pondo-se ao meu lado.

Colton: Ah, então você é a tão famosa Catherine? Sua tia passou a semana inteira falando de ti, ela queria que tudo estivesse perfeito quando você chegasse. Prazer, meu nome é Colton, eu moro na casa ao lado - ele estendeu a mão para mim. Caralho, até a mão dele era sexy.

Eu: Catherine - sorri apertando sua mão timidamente - E até o momento tia Andy conseguiu, está tudo perfeito.

Colton: Que bom que gostou, seja bem vinda - ele deu um sorriso de derreter qualquer um, mostrando os dentes perfeitamente brancos - Ah, Nick, quer que eu leve aquela caixa lá para cima?

Nick: Ah, sim, é uma caixa que tinha esquecido de pegar no porta malas. Leve para o quarto de Catherine, por favor.

Eu: Não, pode deixar que eu mesma levo.

Colton: Não acho que você aguente. É só me mostrar onde fica o quarto que eu mesmo levo - ele pegou a caixa perto da porta sem o mínimo de dificuldade e me seguiu pelas escadas.

Eu: Pode colocar em cima da cama.

Colton: Wow. Você fez tudo isso nessas duas horas que ficou aqui? - ele perguntou olhando minha parede coberta de posteres.

Eu: Assim que pisei no quarto. A principal parte de uma mudança é você arrumar um lugar só seu, seu espaço, sabe? Me faz sentir em casa…

Colton: Entendo… Deve ser difícil pra ti, né? Tipo, mudar para um lugar que tu mal conhece e tal…

Eu: Ah, se o problema fosse só o lugar… Mas não, o que eu não curto mesmo é que eu não conheço absolutamente ninguém aqui, e sou péssima para fazer amigos, meio que tímida, entende?

Colton: Bom, acho que isso não será um problema - ele deu um sorriso malicioso e se encostou no vão da porta.

Eu: Por que?

Colton: Você toparia ir para uma festa hoja à noite com um completo estranho? Posso te apresentar alguns amigos lá do colégio, tua tia disse que tu vai estudar no Ventura também.

Eu: Putz, claro cara, seria ótimo. Valeu mesmo.

Colton: Perfeito, te pego às 21h então. Agora vou te deixar sozinha pra terminar de arrumar ‘seu espaço’ - ele sorriu e deu um aceno, se virando.

 

COLTON - boy next door

O Colton era muito gente boa, simpático e educado, parecia conhecer cada pessoa dessa cidade (não que tivessem muitas), tinha sempre uma festa arranjada se tu quisesse. Só usa camisas justas, realçando seus - oh Deus - músculos, parece que fazia só pra me provocar.